terça-feira, 23 de dezembro de 2025

A SERGIPANIDADE NO SENADO


 A Sergipanidade no Senado.
(por Antonio Samarone)

O Senado Federal é uma representação dos Estados, por isso a igualdade nas vagas. Sergipe e a Bahia, possuem, cada, três representantes.

Sergipe, nunca deu muita importância ao Senado.

Entre 1826, primeira legislatura do Senado e a décima, em 1859, ou seja, nos primeiros trinta e três anos, foram Senadores por Sergipe, o gaúcho José Teixeira da Matta Bacellar e o baiano José da Costa Carvalho (Marques de Monte Alegre). Os dois, nunca pisaram os pés em Sergipe.

Essa desonra política original, foi solenemente esquecida.

O primeiro sergipano a representar o Estado no Senado (1859), foi o senhor de engenho Antonio Diniz de Siqueira Mello, que lutou contra a libertação dos escravos. Diniz era da família de Leandro Maciel, governador e senador por Sergipe, na segunda metade do século XX.

Durante o Império, apenas mais dois sergipanos chegaram ao cargo de Senador: João Gomes de Mello (Barão de Maruim), em 1861, e Antonio Dias Coelho e Mello (Barão de Estância), em 1885.

Com a República, entre os três primeiros senadores eleitos por Sergipe, um era baiano, Thomaz Rodrigues da Cruz. E assim, a história anda.

Sem contar o amazonense, Lopes Gonçalves, eleito Senador por Sergipe (1924 – 1930), sem saber onde ficava Sergipe. Foi cassado pela Revolução de 1930.

Sem esquecer o baiano Lourival Batista, Senador por Sergipe por 24 anos. A esquerda teve a sua vez, o carioca Zé Eduardo Dutra, também representou Sergipe no Senado (1995 – 2003).

Um amigo, bolsonarista, crente na sergipanidade, argumentou:

“Era assim antigamente, hoje, ser ou não filho de Sergipe tem peso relevante na escolha.”

Será?

Na atual bancada sergipana no Senado, dos três, um é gaúcho e o outro pernambucano.

Acho que qualquer brasileiro pode representar Sergipe. Os critérios são políticos. O estranho é porque tantos, não sergipanos. Na história, não sei se por coincidência, os melhores senadores foram os naturais de Sergipe.

É evidente que não basta ser sergipano. O desempenho dos políticos obedece a outras variáveis. Se existem bons candidatos nas duas condições, no perfil ideológico de cada eleitor, com a competência e honradez necessárias, por que optamos quase sempre pelos de fora?

Para evitar distorções, não estou defendendo votar num sergipano despreparado, só porque ele é sergipano. Entretanto, a histórica escassez de sergipanos no Senado Federal é sintomática.

Quem se lembra de um sergipano eleito Senador, pela Bahia?

Antonio Samarone – observador da política.

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