quinta-feira, 14 de maio de 2026
OS CAMINHOS DE SERGIPE
Os Caminhos de Sergipe.
(por Antonio Samarone)
O historiador Wanderlei Menezes, me cobrou uma explicação: a que se deve essa popularidade de Valmir de Francisquinho?
Convenhamos, talvez não exista uma resposta, ou existam várias.
Ele provocou, releia Maquiavel, vá aos clássicos. Eu fui...
Para Maquiavel, virtù e fortuna são conceitos centrais e complementares para o sucesso político. A virtù é a habilidade, inteligência, astúcia e capacidade de ação do governante, enquanto a fortuna representa a sorte, o acaso ou circunstâncias imprevisíveis. A virtù permite ao político dominar ou adaptar-se à fortuna para manter o poder.
Valmir apreendeu a política na escola itabaianense, onde nada é fácil. A disputa é acirrada. O eleitor precisa ser conquistado, corpo a corpo, porta a porta, olho no olho, até na intimidade. Valmir e o povo se entendem, mesmo em silêncio, com um sorriso, um abraço. Essa é a virtú de Valmir.
Segundo os modernos marqueteiros: isso acabou! A virtú atual é usar bem as redes sociais, memes, fakes, algoritmos. Os políticos tradicionais descem mais fundo: a virtú é dinheiro, para comprar o voto. O resto é conversa fiada.
Sobre a momento político:
Sergipe vive uma carência de grandes líderes. Entre 1982 e 2013, Sergipe foi governado por 4 políticos (João, Albano, Valadares e Déda). Não deixaram herdeiros políticos. Com a morte precoce de Marcelo Déda, abriu-se um vazio, um vácuo político, até agora não preenchido.
O atual grupo político, governa Sergipe há 40 anos. Entraram com Jackson, na Prefeitura do Aracaju, em 1986. Carregavam a bandeira de combate as oligarquias. Tornaram-se oligarquias palacianas. O Estado entrou em decadência.
A eleição se aproxima e eles não têm projetos, nem líderes, nem a confiança do Povo. A política não suporta vácuos. Essa é fortuna (sorte) de Valmir. O cavalo está selado!
Pela primeira vez na história de Sergipe, o projeto político vem do interior. O sucesso na gestão de Itabaiana, credenciou Valmir como um bom gestor. Itabaiana é uma locomotiva econômica bem sucedida. Os sergipanos enxergam.
Enquanto o estado definha, se apequena, a economia desaba, os serviços públicos não funcionam (os corredores do Hospital João Alves, são uma prova), enquanto o povo corre atrás do carro pipa, o governo oferece festas (circo).
O economista sênior da UFS, Dr. Ricardo Lacerda, acaba de publicar “A economia de Sergipe no primeiro quarto do século XXI”. A propaganda foi desmontada. Sergipe patina economicamente. Nenhum projeto viável, tudo cosmético. Sergipe afundou.
O doutor Lacerda não é nenhum esquerdista, nem faz oposição ao governo. Pelo contrário, o doutor é assessor palaciano desde o governo Déda. Homem de confiança do poder. Entretanto, o doutor Lacerda é um cientista, não podia falsear a realidade.
Meu amigo Wanderlei, é essa a minha explicação para a popularidade de Valmir.
Se dependesse somente do voto popular, a eleição estava decidida. Contudo, o poder serve a muita gente. Esses, lutarão com todas as forças, lícitas e ilícitas, para não deixarem os mimos e as sinecuras.
Já começaram o vale-tudo. Pegaram uma fala de Valmir, tiraram do contexto, e saíram a bradar aos quatro cantos: Valmir é machista! Valmir não quer mulher em cargos públicos! Valmir odeia as mulheres! Valmir é um feminicida!
O que Valmir disse na entrevista foi que a sua esposa não seria candidata.
Não importa que as mulheres sejam maioria no secretariado de Itabaiana, não importa que a vice seja mulher, não importa que o seu maior apoio, seja a Prefeita do Aracaju, uma mulher.
Numa era da pós-verdade, o fake tem mais força que os fatos. Não importa, vão botar defeito em Valmir, mesmo conscientes que estão mentindo. As redes sociais são abertas, cada um fala o que quer.
Na política, como na guerra, quem primeiro sofre é a verdade. Quem acha que a elite sergipana será derrotada com facilidade é um tolo.
Antonio Samarone. Médico Sanitarista.
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