A Falta d’Água em Sergipe.
(por Antonio Samarone)
A realidade sobre o abastecimento de água em Sergipe é preocupante.
O pesquisador Renato Conde Garcia, ex-presidente da DESO, é taxativo: “Uma grave crise no abastecimento público de água em Sergipe se anuncia. Os mananciais hídricos conhecidos e explorados pela DESO, todos, com exceção do Rio São Francisco, estão com a capacidade esgotada.”
Em Sergipe, as 4 adutoras (Semiárido, alto Sertão, Sertaneja e São Francisco), já exploram o Rio São Francisco. Não são suficientes. A crise hídrica de Sergipe não se resolve a curto prazo, requer investimentos estruturantes.
A adutora do São Francisco, responsável por 70% da água consumida na região metropolitana Aracaju (cerca de 1 milhão de habitantes), foi construída no Governo Augusto Franco (1978 – 1982).
De lá para cá, só obras insuficientes. Ressalte-se, que essa adutora já carece de manutenção, são quase meio século em operação.
Como se sabe, o governo repassou para a Iguá a distribuição da água, a parte lucrativa. Ficou com a captação, que exige investimentos. A lambança da Iguá é por falta de expertise.
A solução conhecida a 50 anos é a construção do Canal de Xingó. Sergipe precisa dessa grande obra.
A transposição do São Francisco deixou de fora Sergipe e Alagoas. Como compensação, o Governo Federal prometeu construir dois canais: o Canal do Sertão nas Alagoas e o de Xingó, em Sergipe. O de lá está quase pronto. Em Sergipe, ninguém toca mais no assunto.
Inicialmente, o Canal de Xingó captaria água no reservatório de Paulo Afonso IV, passaria em dois estados. A Bahia desistiu, vai construir um Canal próprio. Hoje, a alternativa para Sergipe é realizar a captação na barragem de Xingó.
Os engenheiros da DESO/Codevasf, já realizaram estudos alternativos, para a captação em Canindé do São Francisco, bombeando-se para um platô nas proximidades (Serra do Boi) e, por gravidade, se distribuirá por todo semiárido.
O Canal de Xingó chega a Nossa Senhora da Glória, onde se construiria uma estação de tratamento. As carência hídricas do estado seriam equacionadas. Falta visão politica dos governantes. De Glória, a água chegará, por gravidade, as demais sedes municipais e aos seus povoados.
Atualmente, para se abastecer Sergipe, são necessários 10 m³/s de água. As duas tomadas de água já existentes na barragem de Xingó, captariam 20 m³/s, o dobro do consumo atual. O Canal de Xingó é uma obra para o futuro de Sergipe. O investimento previsto para o Canal de Xingó é de 2,2 bilhões.
A vazão do Canal do Sertão Alagoana é de 33 m³/s.
O Governo de Sergipe resolveu empurrar a crise hídrica com a barriga. Anunciou, com recursos do PAC, a “Adutora do Leite”, com uma vazão de 600 litros/por segundo, para atender a bacia leiteira do estado. Um projeto social do Frei Enoque. Inicialmente, não se prevê água para o consumo humano. A vazão da adutora do leite representa apenas 3% da capacidade de captação do Canal de Xingó.
A anunciada Adutora do Leite, se sair do papel, atende a bacia leiteira. A crise hídrica em Sergipe ameaça o nosso futuro. Requer obras estruturantes.
A falta de visão a longo prazo e falta de planejamento hídrico são absolutas. O erro do atual governo não limitou-se a privatização da distribuição da água. A Iguá é a ponta do iceberg. A cegueira é profunda. A captação foi esquecida. Os pesquisadores preveem que até 2050, o consumo de água em Sergipe necessitará de um adicional de 8.3 m³/s.
Essa questão não se resolve com obras eleitorais. Precisamos de um estadista.
Sinto Valmir com disposição para enfrentar o problema. A água é uma prioridade do seu futuro Governo. Já anunciou publicamente, que reverterá o erro da concessão da Iguá.
Quanto ao Canal de Xingó, o governo Lula, deve a Sergipe uma grande obra.
Antonio Samarone – médico sanitarista.

Precisamos entender que com a transposição do Rio Sao Francisco e o represando de suas águas é necessário que se desligue um pouco essa ideia de Rio São Francisco para todo o Sergipe. Aracaju é capital, é populosa. Mas existem opções mais baratas.
ResponderExcluirO Rio Piauitinga que é responsável pelo abastecimento do Centro Sul do estado frequentemente seca no verão. Temos muitos rios, não temos Serra perto do litoral inviabilizando transporte de água do Rio Sao Francisco para Maceió por exemplo.
Temos rios caudalosos porém com água salobra. Piauí, Real, Vaza Barris. Entenda Samarone. Dessalinização é solução mas uma osmose reversa mais barata pode ser feita com esses rios caudalosos de Sergipe transformando a água em potável com menor custo do que a água do mar dessalinizada. Existem soluções com muito menor impacto ambiental e com custos correspondentes ao tamanho que os municípios têm.
Leve-se em consideração que a densidade de Sergipe não é tão alta a ponto de justificar uma adutora passando por Lagarto.