O Jegue de Damião!
(por Antonio Samarone)
Eu perdoava a sergipana Ritinha.
Ritinha se meteu nisso para agradar ao irmão, um empresário metido a intelectual. Começou indo às passeatas dos amarelos. Ia pela agitação. Mesmo sem entender as razões, virou patriota.
Quando formaram o acampamento na frente do 28 BC, Ritinha se mudou de mala e cuia. A sua barraca era das mais frequentadas. Cantou hinos militares, bateu continência, gravou vídeos e fez selfies.
Passou a temer o comunismo, que estava chegando no Brasil.
Ia esquecendo, Ritinha tinha feito uma escultura tosca do Mito e enviado de presente. Recebeu do planalto um telegrama monossilábico: obrigado!
À época, Ritinha viralizou nas redes sociais, virou o orgulho dos patriotas sergipanos. Uma foto da escultura e uma cópia do telegrama chegou a circular nas redes.
Quando foi convidada para o quebra-quebra em Brasília, foi, para preservar a sua obra, que ela imaginava ainda estar no palácio. Ritinha teve uma primeira decepção: a sua escultura foi para o depósito, o Mito nem soube do presente.
Ritinha é evangélica, mas a sua primeira lembrança foi a do paraibano Damião Galdino da Silva, que deu um jegue de presente ao Papa João Paulo II, em sua vinda ao Brasil.
O Papa recusou o Jegue de Damião e o Mito recusou a minha escultura, pensou ela.
A escultura do Mito de Ritinha, não é nenhum Moisés de Michelangelo, mas foi feita com carinho, não merecia este fim.
Por azar de Ritinha, ela apareceu muito nos vídeos do último quebra-quebra. Na hora das prisões, Ritinha estava na linha de frente. Está na Colmeia!
Gente, Ritinha é mais uma oportunista do que uma golpista.
Um agravante, Ritinha tem a perna esquerda mais curta, e os sanitários da Colmeia não tem assentos, muito menos com tampas acolchoadas. Essa é a sua maior queixa.
A comida ruim está até ajudando na perda de peso. Ritinha sempre lutou contra a obesidade.
O seu irmão, este sim, um golpista, está solto e calado. Abandonou Ritinha. Publicamente, passou a odiar a política, mas continua conspirando. A paixão fascista é eterna.
Antonio Samarone (médico sanitarista)
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
O JEGUE DE DAMIÃO
domingo, 19 de fevereiro de 2023
VELHOS AMIGOS
Velhos amigos.
(por Antonio Samarone)
Encontrei outro dia com o dr. Rocha Gusmão, um bem-sucedido médico de subúrbio. Rochinha ficou rico, podre de rico, em 40 anos de profissão. Foi meu colega de turma, em algumas disciplinas.
Rochinha nunca atendeu por convênios, nem de graça. Cobra pouco, negocia o preço, divide, troca a consulta por qualquer coisa de valor, mas não aceita cheques, nem PIX. Só dinheiro vivo.
A Receita Federal nunca viu a cor do dinheiro de Rochinha. Ele não tem conta em banco, cartão de crédito, não compra financiado, não coloca o CPF na nota fiscal, nada, nenhuma modernidade.
O dinheiro de Rochinha é bem aplicado, e rende, rende muito.
De vez em quando, Rochinha põe o dinheiro em grandes urupemas, para tomar sol e não embolorar. Ele aplica em ouro dos garimpos clandestinos e relógios de ouro. Tudo sigiloso. Dizem que ele possui mais de cem Rolex de ouro. Ele nega, diz que não é isso tudo.
Esse é o segredo, disse-me ele: “o doente está ansioso, com medo de doenças incuráveis, medo de morrer, se ele confiar em você, vende o que tem e paga a consulta. Saúde não tem preço.” Em medicina, só não ganha dinheiro os apoucados. Eu ganho bem, não desperdiço e sei aplicar.
Doutor Rochinha nunca foi a um congresso médico, não lê revistas especializadas, acha tudo isso cosméticos. A Arte Médica, disse-me ele, é a mesma desde Hipócrates. De vez em quando consulto o seu velho manual de clínica, ainda em francês.
Rochinha sentenciou: o médico sabendo o sintoma dominante, o sinal prognóstico e o agente curativo o doente saí satisfeito. Não há sábio que tenha mais interesse em sua moléstia que os próprios doentes, eles são curiosos, inteligentes e perguntadores. Eu sei o que o doente quer ouvir, sei criar esperanças e aliviar o sofrimento.
Eu fiz uma provocação: então você não acredita na ciência?
Rochinha arregalou os olhos: “Acredito! Medicina científica é tudo o que dentro da medicina não é arte e sim base científica para o exercício da Arte Médica.”
Acredito na ciência de Paterson, Wucherer e Silva Lima, Claude Bernard e Pasteur. Já a ciência financiada pela indústria farmacêutica, eu vejo com desconfiança. Disse-me o sábio Rochinha.
Eu tenho empatia pelo sofrimento dos doentes, desde que eles paguem. Eu não sou a previdência social, nem membro da Santa Casa de Misericórdia. Não sou candidato a Santo!
Além de rico, doutor Rochinha lê os clássicos da literatura e, de vez em quando, se arrisca com alguns poemas. Todos inéditos. Ele espera algum dia ser reconhecido.
Rochinha tem hábitos estranhos: coleciona besouros. Possui uma coleção maior que a da Lineu, na Academia de Viena. Como se vê, o meu colega não é um ignorante, um negacionista obscuro. Não, apenas gosta de ganhar dinheiro.
Eu perguntei: quais as vantagens da atual medicina de mercado para os médico? Ele foi socrático: “depende, se o médico é o dono do negócio ou é empregado. Para os paciente, essa medicina tem pouco a oferecer, além das despesas.”
Rochinha tem uma memória de elefante, recitou uns versos panfletários, que ele ouviu em 1978, quando participamos de num encontro de estudantes de medicina em Belém do Pará:
“A medicina vai bem e o doente vai mal / Qual é o segredo dessa ciência original? / Certamente, não é o paciente que acumula o capital.”
Depois caiu na gargalhada. Lembrava-se, ele perguntou. Eu disse não, tinha esquecido.
Antonio Samarone. (médico sanitarista)
O CHÁ DA MEIA-NOITE
O chá da meia noite.
(por Antonio Samarone)
“Quero a morte com mau gosto! / Deem-me coroas de pano, flores de roxo pano, angustiosas flores de pano, enormes coroas maciças como salva-vidas, com fitas negras pendentes. / E descubram bem a minha cara. / Que vejam bem os amigos a incerteza, o pavor, o pasmo. / E cada um leve bem nítida a ideia da própria morte.” – Pedro Nava.
Antigamente, era dado como certo que os hospitais se livravam dos doentes terminais que demoravam terminar. Além dos custos, dos aborrecimentos, do cansaço da famílias, havia a ambição das funerárias para venderem os seus serviços.
O povo acreditava que para se livrar desses mortais insistentes, se dava um chá mortífero, ou se desligava o “balão de oxigênio”.
Claro, o povo é sempre exagerado!
Em torno de um grande hospital em Aracaju, estabeleceram-se dezenas de funerárias, o livre mercado, que disputavam avidamente o corpo do defunto.
Deu confusão e empurra/empurra no corredor do necrotério. O fato chegou ao status de escândalo e virou notícia nacional.
O Prefeito resolveu intervir no mercado, com forte reação dos liberais, e planejou o negócio. Cada funerária teria a exclusividade em certos dias (houve um sorteio), e não poderiam mais colocar propaganda nas fachadas das lojas fúnebres, nem expor os caixões nas calçadas.
O sujeito morreu na segunda, os serviços funerários, incluídos o caixão, eram monopólio de tal empresa, na terça, de outra, e assim por diante.
Essa intervenção do sábio Prefeito, acalmou a concorrência. O mercado funciona bem até hoje, sem extravagâncias. Inclusive, oferecendo-se planos e seguros, onde se garante uma morte tranquila, paga em suaves prestações.
Mesmo que o defunto seja ateu, a funerária oferece um profissional leigo para comandar as leituras sacras, rezas e cânticos. Os sepultamentos e velórios ficaram muito parecidos.
Uma parte dos vivos nos velórios, chegam, olham o morto para confirmar, e danam-se a conversar em voz alta, contando causos e anedotas. Todos falando ao mesmo tempo.
Sentimentos, sentimentos mesmo pelo morto, só de poucos familiares. O sentimento dos amigos resume-se na curiosidade: morreu de quê?
Antonio Samarone. (médico sanitarista)
A CULTURA EM SERGIPE
A Cultura em Sergipe.
(por Antonio Samarone)
Antes, em Sergipe, os políticos entregavam a gestão cultural a gente qualificada: Joel Silveira, Luiz Antonio Barreto, Amaral Cavalcante, Aglaê Fontes, Ofenísia Freire, ficando nos que já faleceram.
A cultura ficava de fora do balcão de negócios.
De uns tempos para cá, a cultura virou consolação para candidatos derrotados ou mimo para puxa-sacos. No geral, os políticos não gostam de pessoas que pensam e são independentes.
A política cultural limitou-se aos patrocínios de shows de famosos em Praça Pública e a distribuição dos benefícios das leis federais.
Foi esse modelo de gestão cultural que apedrejou Rita Lee, na Barra dos Coqueiros.
Ressurge uma esperança!
O novo Governador nomeou Antonia Amorosa, para a gestão da cultura. Não votei em Fábio Mitidieri, mas tenho o direito de criticá-lo ou aplaudi-lo, quando achar procedente. Nessa indicação, o senhor está de parabéns.
Amorosa foi forjada pelo talento. Artista, poetisa, livre pensadora, uma mulher independente, à altura das dificuldades. A política cultural do Estado precisa ser descentralizada, chegar ao interior.
Sergipe é rico em manifestações culturais, que estão sufocadas pela politiquice.
Boa sorte, Antonia!
Antonio Samarone (médico sanitarista)
PADRE FELISMINO
Louco ou Santo? - Padre Felismino da Costa Fontes - 1848-1892. (por Antonio Samarone)
Nascido em Itabaiana, em 1848, Felismino da Costa Fontes descendia de pequenos comerciantes e proprietários rurais. Seguiu a carreira eclesiástica, ordenando-se em 1874, justamente no ano em que Antonio Conselheiro viveu em Itabaiana, na Rua da Pedreira.
Não há registros, mas as possibilidades de terem se conhecido é muita grande.
Os historiadores desatentos localizam a experiência sebastianista do Padre Felismino em Frei Paulo. Ele foi o vigário das Matas de Itabaiana, na localidade Chã do Jenipapo, entre 1881 e 1889.
A Villa de São Paulo só foi criada em 1890, ou seja, durante as pregações do Padre Felismino, não existia de forma autônoma, era um povoado de Itabaiana.
Em 1920, a Villa de São Paulo foi transformada na cidade de São Paulo. Em 1938, São Paulo passou a se chamar Frei Paulo, por conta de uma lei federal que não permitia a duplicidade de nomes. E São Paulo já existia.]
O Padre Felismino autointitulou-se “o pregador do fim do mundo”. O pároco liderou o movimento religioso caipira (integrado por trabalhadores rurais, donas de casa, letrados etc.) no agreste sergipano, no intervalo temporal de 1885-1890.
O Padre Felismino enquanto professava seu ministério junto à população do povoado da Chã do Jenipapo, nas Matas de Itabaiana, no período de 1881 a 1886, foi se desvirtuando do método adotado pela Igreja Católica Apostólica Romana e findou sendo denominada de “Seita dos Caipiras”, que trazia os fundamentos do Apocalipse e da Missão Abreviada.
Em decorrência, é intimado a comparecer à presença do seu superior, o arcebispo da Cúria Metropolitana da Bahia, fato que culminou com seu internamento no Asilo São João de Deus, um hospício psiquiátrico.
Houve uma resistência do clero local, sob a liderança do Monsenhor João Batista de Carvalho Daltro. Em 1890, o padre Felismino foi convocado a comparecer na sede da Cúria Metropolitana, da Bahia, para um encontro pessoal com o Arcebispo Dom Antônio de Macedo Costa.
Esse fato culminou na prisão e internamento do Padre Felismino, no Asilo São João de Deus, na Bahia. Onde o pregador do fim do mundo continuou a se comunicar com os seus seguidores através de cartas.
“O Padre Felismino, antigo Vigário da freguesia de Frei Paulo, Sergipe, o qual, tendo enlouquecido, começou a pregar sobre o fim do mundo, iniciando uma seita baseada no Apocalipse e na ‘Missão Abreviada” - Carvalho Déda.
“O padre Felismino, ordenou-se presbítero da ordem de San-Pedro, virtuosíssimo e muito inteligente, foi o primeiro vigário da sergipana paróquia de San-Paulo. Em sua vida sacerdotal, sem mácula, pouco a pouco insidiosa moléstia mental atacou-lhe o cérebro e, sobe essa ação, sem que logo o apercebessem seus superiores, criou visionária religião entre os matutos das matas de Itabaiana, que foi chamada Seita dos Caipiras.” – Sebrão Sobrinho.
O Padre Felismino foi internado no Hospício San-João de Deus, na Baía, onde concluiu tristemente sua existência em dias do ano de 1892. A psiquiatria cumpria o seu papel.
“O padre Felismino era detentor de uma mediunidade, que se externava através da imposição das mãos sobre os doentes e da vidência. Contudo, seus métodos não foram aceitos pelas autoridades da província e as eclesiásticas, porque redundaram em pregar profecias e anunciar o fim do mundo, através de uma interpretação um tanto deturpada do livro Missão Abreviada e do livro Apocalipse.” – João da Santa.
Espero que esse registro chegue ao conhecimento do Papa Francisco, e o Vaticano inicie o processo de santificação do Padre Felismino, na mesma lógica, da justa santificação do “Padim Ciço”.
Minha mãe era devota do Padre Felismino (depois virou Crente) e leitora assídua da Missão Abreviada. Eu aprendi cedo, que o mundo ia se acabar pelo fogo, segundo o Padre Felismino. O dilúvio não resolveu.
Antonio Samarone – (médico sanitarista)
GENTE SERGIPANA - SANTOS MENDONÇA
Gente Sergipana – Santos Mendonça (1919 – 1991).
(por Antonio Samarone).
Sergipano da Barra dos Coqueiros, o radialista Santos Mendonça apresentou por décadas, com grande audiência, o programa “Calendário”. Foi radialista, cronista social, vereador e deputado.
Uma homenagem ao radialista foi prestada pela intelectual Indira Amaral, em 2007, nomeando uma sala na Fundação Aperipê: “Auditório Santos Mendonça”. Não sei se essa sala ainda existe.
Parece que Belivaldo acabou com a própria Fundação Aperipê, em 2019.
Sergipe tem essas coisas, acha-se que alguém pode se sentir homenageado por emprestar o nome a uma sala. Eu sei tem casos mais esdrúxulos. Homenagearam um vereador dando o seu nome ao sanitário do mercado: “Reservado Vereador Fulano de Tal. Já puseram o nome de um médico numa ambulância.
O memorialista e imortal Murilo Melins, descreveu Santos Mendonça de forma definitiva:
“Podemos dizer que ele foi o homem dos sete instrumentos.
Lembramos o Santos Mendonça, atleta, goleiro do Palestra e jogador de basquete, bancário do Banco Mercantil Sergipense, speeker, radialista, ator, comerciante, proprietário de cinema, rádio amador, vereador e deputado."
"Conheci Mendonça, o vaidoso e simpático goleiro, que já saia de casa uniformizado, exibindo seu corpo malhado, graças aos exercícios praticados pelo método de Charles Atlas, dirigia-se a pé pela rua de Vila Nova até o velho campo do Adolfo Rollemberg, para defender o arco do Palestra.”
Melins conta, que num programa de auditório, Santos Mendonça anunciou que um pescador tinha encontrado um dentadura perdida nas areias da Atalaia. Para surpresa geral, o dono do artefato apareceu para recuperá-la, ao vivo, no programa.
Santos Mendonça chegou à presidência da Assembleia Legislativa. Foi cassado pelo AI – 5.
Santos Mendonça nos deixou um livro delicioso, “Zig-Zag”, onde conta com graça e leveza, muitos "causos" da vida sergipana.
No prefácio do livro, Santos Mendonça se apresenta: “Nascido na Barra dos Coqueiros, filho de pais pobres, experiente em tropeço e dificuldade. Os brinquedos que conheci muito bem, foram as varas de pescar, o jereré a linha de pegar siri.
Curioso não, amigos ouvintes, curiosíssimo!” – era o seu bordão, no rádio.
(Na foto, Santos Mendonça é o repórter de bigodinho, atrás de Leandro Maciel.)
Antonio Samarone. (médico sanitarista)
RUA DO FATO 60.
Rua do Fato, 60.
(por Antonio Samarone)
Recebi logo cedo essa foto de Itabaiana, de um aluno da medicina. De primeira, não identifiquei o local e perguntei: qual é a rua?
Ele de imediato: é o calçadão.
Eita! É a idade. Eu morei nessa primeira rua perpendicular, Rua Itaporanga, 60. Ele deu uma risadinha irônica: “Rua do Fato, né?” É!
Sou cria do Beco Novo, rua de pobres, no fundo da Matriz. Rua, segundo Almeida Bispo, que já foi a entrada da cidade, por onde Santo Antonio fugia da Igreja Velha. Rua que já foi o caminho para o campo de futebol, o antigo Etelvino Mendonça.
Mas sempre foi um Beco. Morava de aluguel, em casa de rancho.
Papai arrumou um dinheirinho e saiu procurando uma casa para comprar. Tudo cara, acima das possibilidades. Arrumou uma em conta, na Rua do Fato.
Foi um dilema. Logo na rua das fateiras! Fomos conhecer. Uma rua larga, onde o esgoto corria a céu aberto. O acesso, era por cima de pedras, para não sujar os pés. Uma rua de gente mais pobre.
O preconceito é universal.
Há, tinha um ponto positivo: era perto do Murilo Braga.
Mudamos para a Rua do Fato, 60. Uma casa estreita, escura, de quintal comprido, mas era nossa. Eu tinha 15 anos, quando fomos morar em casa própria.
Bons vizinhos, gente humilde, cheia de solidariedade. Dona Neuzete, os gordos (Thiago, Tota e Cacau), filhos de Dona São Pedro, Dona Eliete, a mãe de Jiva, Zé Antonio e Cori. Jiva, a mais traquino, preso por homicídio, era afilhado de papai.
Entre os vizinhos da Rua do Fato tinha Chico Carroceiro, que não tirava um cigarro de palha da boca, sempre sorridente; defronte existia o depósito de verduras de Joãozinho de Culino, onde o meu irmão Luiz trabalhava.
Parede e meia, morava Dona Djanira, a mãe de Roberto, Pitu e Dego, ainda tinha uma menina que eu não lembro o nome. Na outra casa morava Tereza do Hospital, uma morena alta e muito prestativa.
Na esquina, era a casa do famoso Candinho, alta patente da Chegança Santa Cruz, de Seu Zé de Biné.
Candinho era o líder cultural da rua. Só calçava sapatos em dia de eleição. Só ia votar pronto, como se fosse para uma missa.
Candinho me ensinou o valor do voto.
Certa feita falaram que um Terreiro de Xangó ia se instalar na rua, foi um alvoroço.
Peço desculpa de quem esqueci. Falta muita gente.
Antonio Samarone (médico sanitarista)