domingo, 31 de março de 2019

CADA DOENÇA EM SEU TEMPO.



Cada doença em seu tempo. (Por Antônio Samarone)

Surgiu recentemente num povoado do agreste sergipano um sujeito de nome Zacarias do Nicó, com um comportamento estranho. Seu Zacarias passou a viver isolado, taciturno, olhar fixo e incerto. Ao final de tarde, sol posto, ele sai em disparada, estrada afora, com uma sede de sangue humano, numa demonstração extravagante de raiva. Seu Zacarias acredita ser um lobo.

Ninguém até agora sabe do que se trata. Já levaram a um padre, acreditando-se que Seu Zacarias estaria endemoniado; perderam o tempo, a igreja moderna, depois do Vaticano II, não acredita mais nessas crendices. Levaram Zacarias a um macumbeiro, suspeitando ser um encosto, também não tiveram sucesso. O macumbeiro acha que não existe mais encosto, possessões, isso é besteira, acabou, disse ele, coisa do passado.

A família me procurou com medo que o caso chegasse a polícia, e a força pública desse ao Seu Zacarias o mesmo destino que deram a Pepita. Lembram-se de Pepita? Um garoto de Itabaianinha com transtorno mental, que virou uma fera indomada, sendo perseguido por semanas, numa caçada implacável, até ser morto a machadada por um popular amedrontado. Parte da imprensa comemorou.

Percebi que o risco existe e aconselhei que eles procurassem a medicina. Quem, qual o médico? Sugeri o Dr. Nicanor, psiquiatra aposentado, com larga experiencia em todos os tipos de doidices. A família acatou a minha sugestão. O doutor examinou Zacarias minunciosamente. Procurou no DSM - V, manual americano com mais de quatrocentos tipos de transtorno mental; procurou no Código Internacional das Doenças, CID-11 (o novo), e nada. A doença de Zacarias não existe para a ciência.

Dr. Nicanor, médico antigo, lembrou ter conhecido uma doença mental, que saiu de moda, chamada licantropia. Um tipo de alienação, onde o indivíduo ficava fora de si de raiva, corria ao ar livre, imita a voz e os modos do cão ou do lobo. O povo chamava esse padecente de lobisomem. A doença é antiga, citada nas Bucólicas de Virgílio. Foi importada de Portugal.

A licantropia é uma monomania na qual o doente se acredita transformado em lobo ou outro animal selvagem. Corre, uiva, desenterra cadáveres e ataca os desavisados. São delírios arcaicos. Não é obrigado que os delirantes achem sempre que são Napoleão. Uns deliram se achando feras. O Dr. Nicanor já atendeu vários casos em Campo do Brito, que sempre teve tradição de grandes lobisomens.

Não sei o fim que levaram os lobisomens do Brito, comentou o facultativo!

Dr. Nicanor está desiludido: que tempos! Já voltou a sífilis, a tuberculose, a lepra, a cólera, agora me aparece um lobisomem. Sá falta restaurarem a escravidão e a ditadura.]

Antônio Samarone.

sexta-feira, 29 de março de 2019

O INFARTO DA ALMA...





O Infarto da Alma – (por Antônio Samarone)
Resenha da Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul.

“Com a morte de Deus, louvamos a saúde – nós encontramos a felicidade – dizem os últimos homens e piscam os olhos.” Nietzsche.

Freud apontava a histeria e as neuroses como as doenças da idade moderna, quando a negatividade, o controle, a repressão e a disciplina predominavam. O homem precisava ser adestrado, para adequar-se ao taylorismo. O homem máquina.

O vigiar e punir de Foucault foi superado pela internalização da disciplina.

Nas sociedades ocidentais pós-modernas, pós-industriais, predomina as positividades (yes, we can), são sociedades do desempenho, com novas subjetividades. Síndrome de Burnout, transtorno do déficit de atenção (TDAH) e depressão são as doenças do capitalismo contemporâneo.

No lugar do enunciado disciplinar coercitivo (tu deves), imposto de fora; entra em cena um novo enunciado (nós podemos).” O sujeito do desempenho – mais rápido e eficiente - substitui o sujeito da obediência. A Sociedade disciplinar gerava loucos e delinquentes; a sociedade do desempenho produz depressivos e fracassados. O sujeito do desempenho é um empresário de si mesmo.

O excesso de positividade se manifesta no excesso de estímulos, informações e impulsos, desestruturando a atenção, tornando-a dispersa, com rápidas mudanças de foco. É o fim do tédio contemplativo, perdendo-se o dom de escutar, sentir, ver e criar. A pura inquietação não gera nada novo, apenas uma atenção fragmentada.

Para elevar a produtividade, o paradigma da disciplina é substituído pelo paradigma do desempenho. Contudo, o poder não cancela o dever, o sujeito do desempenho continua disciplinado. Nessa passagem para o paradigma do desempenho está a gênese dos elevados índices de depressão, expressão patológica do fracasso do homem pós-moderno consigo mesmo.

Na patogenia da depressão ainda colaboram a carência de vínculos do homem pós-moderno e a violência sistêmica da sociedade que produz os infartos psíquicos. O que causa a depressão do esgotamento não é o imperativo de obedecer apenas a si mesmo, mas a pressão do imperativo do desempenho. A perda da fé não só em Deus, como na realidade, torna a vida transitória. A dessacralização da vida conduz ao efêmero, ensejando nervosismos e inquietações.

O homem depressivo é aquele animal laborans que explora a si mesmo. É agressor e vítima, prisioneiro e vigia, senhor e escravo ao mesmo tempo. O sujeito do desempenho encontra-se em guerra consigo mesmo.   

A sociedade do cansaço solitário, do cansaço fundamental, se desdobra numa sociedade do doping cerebral (neuro-enhancer). Ritalina, cocerta, vyvanse e aderal para segurar o desempenho.

Encero com uma conhecida citação de Nietzsche: “Por falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto.”

Encero mesmos, com os versos de Lenine: Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma/Até quando o corpo pede um pouco mais de alma/A vida não para... Enquanto o tempo acelera e pede pressa/Eu me recuso, faço hora, vou na valsa/A vida é tão rara...

Antônio Samarone.

quinta-feira, 28 de março de 2019

AS CASTANHAS DO CARRILHO


As castanhas do Carrilho... (por Antônio Samarone)

Mas não é sobre as castanhas que eu quero falar, mas sobre o povoado Carrilho. Luiz Antônio Barreto sempre perguntou, de onde vem esse nome, será uma homenagem a Fernão Carrilho, um dos capitães do mato que ajudou na destruição do Quilombo dos Palmares? Fernão Carrilho passou por Sergipe?  

Edison Carneiro, em sua obra sobre Palmares, eliminou essa dúvida: Em 1670, o Governador do Brasil Alexandre de Souza Freire mandou Fernão Carrilho conquistar mocambos de negros na Capitania de Sergipe. Na primeira Entrada que fez contra esses mocambos, a maior parte do homens brancos que o acompanhava desertou. Mesmo assim, com poucos índios, Fernão Carrilho desbaratou um Mocambo com mais de duzentos negros, e fez vinte prisioneiros.

Na segunda Entrada, os 17 Tapuias que o acompanhavam também desertaram, e o Capitão Fernão Carrilho, somente com um companheiro, se atirou e destruiu mais um mocambo, fazendo doze prisioneiro. O povoado Mocambo, em Frei Paulo, não possui esse nome à toa.

Fernão Carrilho tornou-se o capitão do mato mais famoso da Bahia. De Salvador ao Rio São Francisco, combateu e derrotou todos os negros levantados.

Em 1673, o Rei, em carta de 28 de junho, lhe ordenou que auxiliasse Rodrigo de Castelo Branco no descobrimento das minas de prata de Itabaiana. Fernão Carrilho aderiu a essa vã empresa com a sua pessoa e todos os seus escravos.

Tal era a folha de serviços do Capitão Fernão Carrilho à Coroa, que em 1676, o Governador Pedro de Almeida o convidou para cabear uma expedição contra Palmares. Contudo, a sorte dele virou em 1683, em nova expedição à Palmares. A conduto Fernão Carrilho desagradou ao Governador. Fernão Carrilho foi preso e degredado para a Capitania do Ceará.

Logo Fernão Carrilho seria perdoado. Ainda realizou a sua última expedição à Palmares em 1686, por ordem do Governador Souto Maior. Fernão Carrilho não conseguiu derrotar Palmares, obrigando ao governo entregar a tarefa ao paulista Domingos Jorge Velho, a quem coube a fama de ter destruído Palmares. Jorge Velho, aposentado há 16 anos, vivia no Piauí, em terra tomada dos índios.

A última vez que se ouviu falar de Fernão Carrilho foi em 1703, ele no Maranhão, como lugar tenente do Governador.

O Portal Itnet, em 18/09/2010, na sessão entretenimento, publicou uma biografia de Fernão Carrilho que vale a pena ser consultada. Não identifiquei a autoria do texto. O Portal Klepsidra, de Fabiano Vilaça dos Santos, também apresenta outra biografia de Fernão Carrilho.

Resta saber se a prospera comunidade do Carrilho, em Itabaiana, maior produtora de castanha do Nordeste, foi local de um dos quilombos destroçados por Carrilho, em Sergipe. Tarefa que repasso para os diligentes historiadores de Itabaiana.

Antônio Samarone.

segunda-feira, 25 de março de 2019

O CINEMA EM ITABAIANA



O Cinema em Itabaiana (por Antônio Samarone).

A música e a fotografia são as manifestações culturais mais antigas em Itabaiana. A Filarmônica é 1745 e a fotografia do inicio do século XX, com Miguel Teixeira. Contudo, outras iniciativas foram surgindo.

Itabaiana possui um cine clube organizado, sob o comando do Dr. Romulo, funcionando regulamente no museu da Filarmônica, na Praça da Igreja.

Antônio de Dóci escreveu que a primeira sessão de cinema em Itabaiana ocorreu em 1913. Santinho de Tetê e Zezé da Lagoa compraram um aparelho de projeção e um gerador, e exibiram numa residência na Rua do Sol, 196. O cinema chegou a Itabaiana apenas 18 anos após a famosa primeira exibição em Paris, no subsolo do Grande Café, no bulevar dos Capuchinhos, em 28 de dezembro de 1895.

Em 1919, Manoel Vieira Neto, tio de Zeca Mesquita, montou uma empresa de produção e distribuição de energia elétrica em Itabaiana. Seu Zeca foi o nosso Barão de Mauá. Em 1922, Seu Zeca montou o cinema popular, na rua do Cisco. Foi a única diversão dos ceboleiros, por muitos anos.

Em 1962, o cinema popular recebeu a concorrência do cinema do padre, o cine Santo Antônio, quando a igreja católica ainda disputava a hegemonia dos fiéis. Eu, menino, passei ir para a missa das oito, aos domingos, para assistir um filme de graça após a missa. Depois Zé Queiroz adquiriu o cinema do padre e funcionou até virar a Rádio Princesa da Serra.

Na década de 1970, o cinema de Zeca passava uns filmes de putaria, só para homens, a partir de 11 horas da noite. Eu ficava peruando, no Bar Brasília, doido para entrar, e nunca deixavam. Depois foi arrendado a Seu Tenison da Farmácia, e virou cinema Teny, já em cinemascope.

Na década de 1950, jovens inquietos, quase todos comunistas, montaram um cine clube em Itabaiana. Essa história está à espera de alguém que conte os detalhes, talvez Paulo de Dóci, que viveu e entende muito de cinema.

O cinema de Zeca Mesquita funcionou até 1985. Antes, serviu de palco para uma reunião histórica. Em 1981, o PT em construção, o cinema recebeu Lula e os simpatizantes de Itabaiana, sob a liderança do professor Zé Costa. Segundo Pulga de Cós, estavam presentes de mais de dez agentes do SNI.

O cinema era o encanto das pequenas aldeias interioranas. Quem não é desse tempo, assista “cinema paradiso”, que revela bem aquela realidade. Dr. Rômulo, essa história do cinema em Itabaiana está mal contada, precisa que de um bom historiador.

Antônio Samarone.

sexta-feira, 22 de março de 2019

De erroribus medicorum...


“De erroribus medicorum” (por Antônio Samarone)

Hoje os exames de imagens (fundo da caverna de Platão), hegemonizaram a semiologia médica. Cada época com as suas preferências. O objeto da medicina é o doente, o homem e o seu sofrimento. Abandonou-se o doente, e objeto virou a doença. Das doenças avançou-se para as representações visuais (imagens) das doenças. Por fim, a imagem ganhou autonomia e tornou-se o objeto da medicina.

Quem não entendeu direito a referência a “alegoria da caverna”, tá lá, na República de Platão. Mais simples, vai no Youtube ou no Google.

Na Idade Média era a uroscopia, ou exame da urina, o grande recurso da medicina. O exame de urina foi o primeiro exame laboratorial, usado pela medicina. Observações básicas como cor, turbidez, odor, volume, viscosidade, e até mesmo doçura eram decisivos para o diagnóstico.

Hipócrates escreveu um livro sobre "uroscopia”. Na Idade Média, uma tabela de cores foi desenvolvida, que descrevia o significado de 20 cores diferentes de urina. A semiologia médica era reduzida ao exame de urina (e ao exame do pulso). Um bom diagnóstico prescindia da presença do doente, bastava um recipiente com a urina.

Dirão os crédulos: as imagens mostram mais do que a urina... A imagem fala por si, é objetiva, afasta-se da subjetividade e das queixas dos doentes... Será?

Antônio Samarone.

segunda-feira, 18 de março de 2019

SOCIEDADE DO CANSAÇO



Sociedade do Cansaço... (por Antônio Samarone)

Rosa Emília nunca descansou. Nunca tirou férias. Médica, está completando 30 anos de formada, e nunca faltou a um plantão. Vive para o trabalho. Solteira, teve dois filhos de experiencias fortuitas. Rosa Emília nunca amou nem odiou ninguém. Os filhos cresceram e foram embora, moram lá para São Paulo.

Rosa Emília foi órfã logo cedo. Viveu parte da infância num orfanato, que ela não gosta nem de lembrar. Passou no vestibular de medicina de primeira, sem cota, só no esforço pessoal. Perdeu (ou ganhou) a juventude estudando. Depois, na faculdade, foi morar com uma tia, no Santos Dumont. Essa tia já morreu.

Rosa Emília nunca questionou muito, viciou em antidepressivos, e ia resolvendo o tédio com as drogas da psiquiatria. Nunca comentou nem com os filhos, que tomava tarja preta. Engordou, aumentou a glicemia, e passou a usar regularmente remédios para diabetes e pressão. Tinha crises de enxaquecas frequentes, e dores lombares. Para cada queixa um medicamento.

Como tudo tem o seu dia, o mês passado encontrei Rosa Emília numa agência de turismo. Depois dos salamaleques de praxe, perguntei: E aí, doutora, tá perdida? Ela riu. Que nada, fechei um pacote de viagem, vou passar 30 dias no Velho Mundo.

Cansei, disse ela, quero viver, tá na hora... Fiquei satisfeito. E mais, vou e volto de primeira classe. Vai só? Ela disse que nada, arrumei um namorado, Pastor, aposentado da Petrobras, um velho em boas condições de uso. E deu uma gargalhada.

Ontem encontrei com Rosa Emília no Parque da Sementeira. Fui logo ao assunto principal, e a viagem, vai quando? “Ela mudou o semblante, você não soube?” Não! “Fui fazer um Check Up de rotina, e os exames apontaram sombras no pulmão. Fiz a biópsia e, imagine, câncer. Estou indo amanhã me tratar em Porto Alegre. Já devolvi o pacote de viagem. Ainda bem que eles aceitaram.”

“Graças a Deus que tenho o Bradesco Plus, um plano de saúde que cobre tudo. Apartamento, médico, acompanhante, todos os exames, e se precisar da UTI, não terei dificuldade, sem limites. Eu passei a vida trabalhando no SUS e sei o que é. O meu plano ainda cobre todas as despesas com o funeral. Uma maravilha! Não quero é dar trabalho aos filhos...”

Estou até agora matutando.

Antônio Samarone.

domingo, 17 de março de 2019

AS CARRETAS DAS SOMBRAS.




As carretas das sombras. (por Antônio Samarone)

Tive uma longa conversa com o Dr. Carlos Salustiano, o Dr. Salu, oncologista de bata longa, um estudioso da medicina. O Dr. Salu está inconformado com essa enxurrada de mamografias a que estão submetendo as mulheres sergipanas, com o discurso de se fazer um rastreamento em massas, para identificação precoce do câncer de mama. “É mentira!” Afirmou com convicção o Dr. Salu.

Continuei a conversa com o Dr. Salu: “essa carreta de Barretos, desde que chegou a Lagarto fez 11 mil exames e identificou apenas 38 casos de câncer, dos 470 previstos para Sergipe esse ano.” Eu retruquei, e não foi bom? “Bom nada! Esses 38 casos se forem de tumores avançados, enraizados, nada muda nem no prognóstico nem na sobre vida; se forem tumores iniciais, trinta por cento podem ser indolentes, que não iriam evoluir. Ou seja, vai se iniciar um tratamento cruento de um tumor, sem necessidade. Resumindo, essa farra das carretas não é um programa de saúde pública.’

Você está me dizendo que essas carretas são semelhantes ao programa de prevenção de câncer de colo de útero que a Senadora Maria do Carmo fazia? “Não, muito pior. O rastreamento de câncer de colo, fazia sentido, pois 95% dos canceres de colo são causados pelo papiloma vírus, o HPV, e se as lesões forem identificadas precocemente podem ser retiradas, evitando o câncer. Houve recentemente uma campanha de vacinação do HPV, para prevenir o câncer de colo de útero.”

“O que Sergipe está precisando são de Unidades de Tratamento. Isso sim, se encontra profundamente defasado, enfatizou o Dr. Salu. A redução da mortalidade por câncer de mama está mais relacionada com os avanços no tratamento. Esse rastreamento indiscriminado, em massas, no caso do câncer de mama, obedece mais a interesses políticos e econômicos do que aos da Saúde Pública.” Eu senti que Dr. Salu sabia do que estava falando!

“Se Henrique Prata quiser ajudar, venha ajudar no funcionamento dos hospitais, enfatizou o Dr. Salu. Eu soube que ele vendeu duas carretas ao estado. Além daquela carreta da confusão, que ninguém sabe quem comprou, nem quanto custou; além da carreta dos homens; teremos mais duas. O serviço de saúde em Sergipe passará a ser móvel.” O Dr. Salu foi duro: “isso são carretas de ilusões, carretas de fumaça, para embaçar as vistas do povo.”

E concluiu o colega oncologista: “o rastreamento em massa de câncer de mama não reduz a taxa de mortalidade; não limita o aparecimento e nem aumenta a sobrevida dos casos graves; sem falar, que 15% dos tumores de mama graves aparecem nos intervalos das mamografias.”

Pelo jeito as mamografias são inúteis, perguntei ao Dr. Salu. “Não, eu não disse isso. As mamografias podem ajudar no diagnóstico sob indicação médica; e serem usadas em rastreamentos específicos, localizados, em mulheres entre 50 e 69 anos, em especial quando existem casos de câncer de mama na família. O que reafirmo é que, como rastreamento de massas, feitos a torto e a direito, de esquina em esquina, sem critérios, traz mais malefícios que benefícios para as mulheres.” Assim falou o Dr. Salu!

Antônio Samarone.