segunda-feira, 26 de março de 2018

TEREMOS ELEIÇÕES EM OUTUBRO?



Teremos eleições em outubro?

Após o adiamento da prisão de Lula pelo STF, o ódio recrudesceu. Basta observar a intolerância política nas redes sociais. A caravana do PT enfrentou dificuldades no Rio Grande do Sul, foi atacada por uma militância disposta as vias de fato. Quem antes só batia panelas, foi para o enfrentamento físico. O PT equivocadamente minimiza as agressões recebidas, tentando passar a imagem de que tudo foi festa, acreditando que a luta política se resume as versões.

O quadro se agrava: o atual grupo no poder, com o projeto de aprofundar o neoliberalismo, tem poucas chances eleitorais. Pelas pesquisas, Lula ganharia no primeiro turno. Candidato ou não, preso ou solto, Lula seria um polo nas próximas eleições. 

Como ninguém que chega ao poder por vias transversas, deixa-o pacificamente; considerando a existência de uma base social de apoio radicalizada e poderosa, mesmo minoritária. A evidencia de uma derrota eleitoral açodará a tentação pelas mudanças nas regras do jogo. O que significa a candidatura de Temer, com apenas 3% de aprovação?  Pode ser tudo, menos disputar eleições. O único candidato do bloco que chega aos dois dígitos nas pesquisas é Bolsonaro, ainda não palatável pela Globo. Neste cenário, a sobrevivência da democracia passa por uma pacificação improvável dos ânimos. Os ataques ao estado de direito no Brasil ainda não avançaram, devido a conjuntura internacional desfavorável as ditaduras, sobretudo no ocidente. Temo pela democracia.
Antônio Samarone.

quarta-feira, 21 de março de 2018

GINÁSIO DE ESPORTES CHICO DO CANTAGALO



Ginásio de Esportes Chico do Cantagalo.

O novo Ginásio de Esportes em Itabaiana receberá o nome de Francisco Vilobaldo de Oliveira (Chico do Cantagalo). Não sei de quem partiu a ideia, mas quero registrar os meus aplausos. Chico era um gentleman, amigo de todos, um homem dedicado as gentilezas. Chico fundou e presidiu o Cantagalo Futebol Clube, clube do qual fui atleta; criou o Grêmio Literário e Esportivo de Itabaiana (GLEI), com uma escola para os meninos pobres do Beco Novo (onde hoje é o Rotary), e uma quadra esportiva com o piso de cimento, nos fundos do Tanque do Povo. Foi uma revolução para o futebol de salão em Itabaiana, que antes disputava os seus torneios na Praça da Feira e depois no campo de areia do padre Everaldo. O nosso primeiro espaço para esportes, murado e com piso de cimento foi o GLEI.

Chico do Cantagalo era um arquivo vivo da vida cultural de Itabaiana, conhecia quase todas as famílias, quem era parente de quem, tinha a genealogia de cada família na cabeça. Para espanto e indignação, num final de tarde de uma quinta-feira, 16 de julho de 2009, Chico do Cantagalo foi assassinado por uma alma sebosa, aos 75 anos.  Para quem é de Aracaju, Chico do Cantagalo era irmão do vereador Cosme Fateira, que propôs um título de cidadão aracajuano ao urubu.

Conheci de perto Chico do Cantagalo, fui atleta e amigo. Chico estava sempre disponível, nunca deixava de fazer um favor, muitas vezes sem poder. Chico aplicava injeção nas casas das pessoas que precisasse. Para os mais novos, Chico possuía um estojo que esterilizava as seringas e agulhas flambando no álcool. Não existia as seringas descartáveis. Naquele tempo até aplicar uma injeção era difícil. Portanto, o belo Ginásio de Esporte que será inaugurado em Itabaiana levar o nome de Chico do Cantagalo, um homem honrado e generoso, está mais do que merecido. Penso até em comparecer a inauguração.
Antônio Samarone.
A foto foi cedida pelo historiador Almeida Bispo.

sábado, 17 de março de 2018

APONTAMENTOS PARA UMA HISTÓRIA DOS REMÉDIOS


Apontamentos para uma história dos remédios.

Na primeira metade do século XX, havia duas maneiras de se produzir medicamentos. Uma artesanal, em pequena escala, centrada em fitoterápicos, sem a necessidade da intermediação médica para o consumo; e outra industrial, larga escala, centrada em substâncias químicas, exigindo a receita médica para o acesso ao consumo. Vamos ao primeiro modelo.

Pequenas empresas produziam elixires, xaropes, balsamos, grãos de saúde, fortificantes, peitoral, vinho, licor. Esses medicamentos só poderiam ser comercializados após a competente aprovação das Juntas Estaduais de Higiene. Eram pequenas fabriquetas e acanhados laboratórios, geralmente de propriedade dos inventores das misturas ali produzidas. Uma produção artesanal, totalmente descentralizada, contudo, fiscalizado pela Saúde Pública. A rede comercial oferecia desde os medicamentos produzidos por um farmacêutico famoso da Capital Federal, até os produzidos por um farmacêutico provinciano, da nossa bela Maruim.
Esses medicamentos de marca registrada, geralmente fitoterápicos, formulas secretas, de amplo espectro, que restauravam, tonificavam, fortaleciam, depuravam, reconstituíam, corrigiam, recompunham, preveniam, curavam, etc.; eram vendidos diretamente aos consumidores, sem a necessidade da intermediação médica. A sua regulação era orientada pela Farmacopeia (Coleção das fórmulas de medicamentos básicos).

No Brasil, a primeira foi a Farmacopeia Geral para o Reino e os Domínios de Portugal, sancionada em 1794, e obrigatória a partir de 1809. Após a Independência, foram utilizados, além desta, o Codex Medicamentarius Gallicus francês e o Código Farmacêutico Lusitano, hoje considerado como a 2ª edição da Farmacopeia Portuguesa. Em 19/01/1882, o Decreto n° 8.387, estabeleceu que para o preparo dos medicamentos oficiais seguir-se-á a Farmacopeia Francesa, até que fosse composta uma Farmacopeia Brasileira.

Finalmente, em 1926, as autoridades sanitárias do País aprovaram a proposta de um Código Farmacêutico Brasileiro, apresentada pelo farmacêutico e professor de farmácia Rodolpho Albino Dias da Silva. Este Código foi oficializado em 1929 e tornou-se a primeira edição da Farmacopeia Brasileira. Obra de um único autor, a primeira edição da Farmacopeia Brasileira (1.150 páginas), equiparava-se às farmacopeias dos países tecnologicamente desenvolvidos, com uma diferença, continha a descrições de mais de 200 plantas medicinais, a maioria delas de origem brasileira.

Na primeira metade do Século XX, encontravam-se à venda nas farmácias, boticas e drogarias sergipanas: o peitoral de cambará, indicado no combate as bronquites e a coqueluche; para o estomago era aconselhado que se bebesse caxambu, lambary e cambuquira; contra a queda de cabelo, o tônico de camomila; para o combate os vermes intestinais. Lumbricida Vegetal; para fortalecer a dentição, os pós calcários naturais, do farmacêutico Antonio Carvalho, de Maruim.

O balsamo humanitário, aprovado pela Inspetoria de Higiene, do farmacêutico Durval Freire, era indicado para reumatismo, inchação, feridas, mordeduras, queimaduras, inflamações do fígado e baço, bem como para as afecções do peito. Do mesmo profissional tínhamos o vinho reconstituinte de quinino fosfatado, indicado para fraqueza geral, dispepsia, anemia, neurastenia, erisipela e caquexia.
Vinho de cássia occidentalis composto, do farmacêutico Carvalho, indicado contra as febres palustres, o paludismo crônico, o ingurgitamento do fígado e do baço (vulgarmente dureza), icterícia, anemias, além de ser um excelente aperitivo.

A matricaria de F. Dutra é anunciada como medicamento homeopático indicado para fortalecer a dentição das crianças, tornando-as tranquilas. Evita também as desordens do estômago, corrige as evacuações, cura a febre, as cólicas, a insônia, previnem os vermes e tornas as crianças mais fortes, alegres e sadias. Já para as doenças do estomago, fígado e intestino usava-se os Grãos de Saúde do Dr. Antunes.

Xarope de grindelia, de Oliveira Junior, indicado para moléstias do peito, defluxo, influenza, enfisema pulmonar, tosse pertinaz, e catarro nas vias áreas. O elixir nogueira, salsa, caroba e guáiaco, indicado na cura a sarnas gálicas, tumores gomosos e reumatismos. Licor de tayuyá, indicado para sífilis, moléstia da pele, impureza do sangue, eczemas, reumatismo e ingurgitamentos linfático.
 
Outros medicamentos encontrados nas farmácias e drogarias sergipanas: água de vichy purgativa; água sulfatada maravilhosa, restaurador da vista; carne líquida de Valdez; gelol – bálsamo analgésico e estimulante; gonol, maravilhosa injeção antiblenorrágica; injeção cadet; Iodureto de potássio quimicamente puro; Licor de bismuto Schacht; Licor de Laville; pariquina, infalível remédio contra as hepatites agudas e crônicas; pastilhas anti-sépticas de Jones, para a garganta; Pastilhas peitorais do Dr. Zed; Pílulas de ocreina Gremy; Piperazina granulada de Midy; p        ó laxativo de Vichy, do Dr. Souligoux. Vinol, o delicioso preparado de fígado de bacalhau sem óleo.

Xarope anti-artritico de Orlando Rangel; Xarope de bromureto de stroncio de Laroze; xarope fenicado de Vial; xarope de thiocol Roche. Elixir estomacal de camomila e caricina – Dória. – Heroico medicamento que pode ser usado sem nenhum resguardo, indicado para azia e cólica, fastio, vômitos, indigestões, sonhos, pesadelos, dores de cabeça, gastralgia, clorose, anemia, etc. Pílulas e Xarope de Blancard. Iodureto de Ferro inalterável, indicadas no tratamento de anemia, Clorose, tuberculose, escrófula e papeira. Medicamento francês.  

Emulsão de Scott (1902), óleo de fígado de bacalhau com hipofosfito de cal e soda, de Scott e Bowne, químicos de Nova York, contra anemia, tísica, raquitismo, enfermidades nervosas, do peito e pulmão, alterações do sangue e dentições difíceis. Visicatório de Albespeyres, medicamento francês.
Cápsula Raquin – Copaivato de sódio. Curam os fluxos agudos ou crônicos. Medicamento francês. Moléstias Secretas Cápsulas Raquin Únicas cápsulas de glúten de copaíba aprovadas pela Academia de Medicina de Paris. Como não se abrem no estomago toleram-se sempre bem e não causam eructação. Empregadas sós ou com a injeção de Raquin curam em muito pouco tempo as gonorreias mais intensas.

Vamos ao segundo modelo: em meados do século XX, com o surgimento de novos medicamentos químicos, tendo os antibióticos como carro chefe, a forma de produção artesanal e descentralizada sucumbiu. Grandes laboratórios começaram a distribuir na rede varejista os novos medicamentos químicos, chamados de medicamentos éticos, cuja a venda começava a ser controlada centralmente. Para o seu consumo, se começava a exigir a receita médica. Aos poucos, os médicos foram substituindo os farmacêuticos no controle da venda dos medicamentos. Com a industrialização desses medicamentos químicos, as doses e combinações farmacológicas foram padronizadas, medida necessária a essa forma de produção. Os remédios assumem a forma de mercadoria, estabelecendo-se uma relação de parceria com os médicos, visando a aceitação dos consumidores desses produtos.

Como esclareceu Robert Whitaker, em seu conhecido trabalho, a Anatomia de uma Epidemia: “os médicos passaram então a desfrutar de um lugar muito privilegiado na sociedade norte-americana. (Também no Brasil). Controlavam o acesso do público aos antibióticos e a outros novos medicamentos. Em síntese, tinham se tornado os vendedores varejistas desses produtos, com os farmacêuticos simplesmente cumprindo as suas ordens, e, na qualidade de vendedores, passaram então a ter uma razão financeira para alardear as maravilhas dos novos produtos. Quanto maior fosse a percepção dos remédios, mais o público se inclinaria a procurar os consultórios para obter receitas. Ao que parece, a posição do próprio médico no mercado é fortemente influenciada por sua reputação de uso de drogas mais recentes.”

Nesse momento, com a substituição da produção artesanal de medicamentos, de marca registrada, pela produção industrializada dos medicamentos éticos, os farmacêuticos que controlavam o varejo perderam o espaço para os médicos; e os charlatães que disputavam com os médicos a clientela da assistência são finalmente derrotados, pois deixaram de ter acesso a prescrição e ao conhecimento sobre os novos remédios. Um novo saber sobre os medicamentos se constituiu sob a tutela dos médicos, e com a chancela do discurso científico; tornando os medicamentos artesanais obsoletos. Os interesses financeiros dos médicos alinharam-se perfeitamente com os da indústria farmacêutica. No Brasil, esses novos medicamentos só passaram pelo controle sanitário a partir de 1946. O Decreto nº 20.397/1946 se referia a medicamentos como especialidade farmacêutica e exigia que toda a especialidade fosse licenciada antes de ser exposta ao consumo. Era necessário somente comprovar a segurança do produto. A comprovação da eficácia do produto como exigência para o registro só a partir de 1976, com a lei 3.360/76. Mesmo assim, os produtos já licenciados estavam isentos.

No momento, quando a assistência médica já abandonou a forma de cuidados, assumindo a de produção de procedimentos, permitindo que a própria assistência incorporasse a forma de mercadoria; os médicos continuam zelosos na garantia da exclusividade da prescrição. Muitas prerrogativas foram suprimidas do texto da lei sobre o ato médico, mas o direito exclusivo de prescrição é inegociável. A disputa do mercado não é mais com os charlatães, mas com dezenas de profissionais de saúde não médicos. O poder exclusivo da intermediação do consumo dos produtos da indústria farmacêutica, e o combate a automedicação, continua sendo uma garantia de clientela.

Antônio Samarone.

sexta-feira, 16 de março de 2018

QUEM INVENTOU AS PÍLULAS



Quem inventou as pílulas?

As descobertas das causas das doenças infeciosas no final do Século XIX, ocorreram paralelo a revolução da indústria química. O sonho da medicina era encontrar uma “pílula mágica”, uma substância química, que destruísse o germe invasor, sem afetar o hospedeiro. Isso parecia um milagre, uma cura bíblica. O cientista alemão Paul Ehrlich descobriu que corantes têxteis tinham afinidade por células diferentes, e passou a pesquisar se algum produto químico era capaz da façanha de destruir o germe, sem matar o hospedeiro.

Em 1899, Paul Ehrlich passou a procurar uma droga que matasse seletivamente o tripanosoma causador da doença do sono. Em 1909, depois de testar mais de novecentos produtos, Ehrlich resolveu testar o 606, um composto a base de arsênico, o Salvarsan, na eliminação da Spirocheta pallida (nome antigo do Treponema pallidum), causador da sífilis. Na prática, o Salvarsan só era eficaz contra a sífilis primária. Somente em 1935, a Bayer apresentou as sulfanilamidas, eficazes no tratamento das infecções por estafilococos e estreptococos. A penicilina, descoberta em 1928, por Alexander Fleming, não foi possível a sua produção em larga escala, em 1944, num esforço de guerra. As empresas Merck, Squibb e Phizer conseguiram produzir a penicilina em larga escala. No início da década de 1950, a penicilina já era vendida em Aracaju.

Em 1922, a empresa Eli Lilly descobriu como extrair a insulina das glândulas pancreática dos animais, permitindo um tratamento eficaz do diabetes. No inicio de 1950, os cientistas tinham aprimorado as sínteses de substâncias químicas, produzindo melhores anestésicos, sedativos, anti-histamínicos e anticonvulsivantes. No final do século XIX, a Bayer patenteava a aspirina.  No-pós II Guerra, a produção de medicamentos químicos deixava de ser artesanal e tornava-se um ramo da indústria.
Antônio Samarone.

quarta-feira, 14 de março de 2018

A MEDICALIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS



A medicalização das redes sociais.

As redes sociais são acusadas de destruírem os relacionamentos humanos, impedirem o “tête à tête”, dificultarem as verdadeiras amizades, afastarem as pessoas, levando-as a solidão e ao desamor. Defender essa tese passou a ser politicamente correto, e não faltam profissionais para dar ares de cientificidade. As redes sociais evitam que as pessoas sejam mais felizes, e podem levar a transtornos mentais. As redes sociais são pragas. Virou doença.

Não acredito. As verdadeiras amizades sempre foram raras e a solidão é antiga. Pelo contrário, as redes sociais evitam o isolamento dos idosos, dos insones, dos que estão segregados por doenças, dos que temem a violência urbana, dos que não gostam de multidões. As redes sociais ampliam as possibilidades de relacionamentos, reduzindo os limites sociais e geográficos, facilitando o acesso a pessoas fora do nosso mundo privado. As redes sociais tornam os relacionamentos pessoais desgastados suportáveis. Os amigos virtuais são menos inconvenientes, causam menos decepções, pois já se espera pouco deles. E quando se percebe a canalhice dos amigos virtuais é só deletar.

Muitas famílias dispersas se reencontraram pelas redes sociais. Os grupos de WhatsApp reunificaram irmãos distantes, sobrinhos, primos; reuniu colegas de escola, amigos de infância; congregou funcionários de uma mesma empresa; interessados por um mesmo tema; agilizou a troca de informações. E quando se torna necessário os encontros diretos, marcamos essas confraternizações pelas redes sociais. Portanto, responsabilizar as tecnologias de comunicação pelo “esfriamento” das relações humanas, é não querer enfrentar a realidade da natureza humana.

Antônio Samarone.

terça-feira, 13 de março de 2018

LOUCOS DE TODOS OS GÊNEROS



Loucos de todos os gêneros...

Entre os nossos colegas na escola, convivíamos com gente de todos os tipos: os vadios, os gaiatos, os valentões, os tímidos, os cê-dê-efes, os aduladores, os sonsos, os perversos, os burros, os sabichões, etc. Todos éramos considerados mais ou menos normais. Era a variedade humana. Quando adultos, seguimos caminhos imprevisíveis pelo comportamento infantil.  

Hoje as crianças desviantes nas escolas são tratadas como portadoras de transtornos mentais, muitos como TDAH – transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, outros como deprimidos, bipolares, etc. A psiquiatria acha que existe um desequilíbrio dos neurotransmissores, que essas crianças precisam de ajuda médica. Muitos serão condenados a usar psicofármacos por longos períodos, tornando-se dependentes. A indústria farmacêutica agradece. Para onde caminha essa geração?

Antônio Samarone.

sábado, 10 de março de 2018

FIO DO CANÇO


De onde vem o “fio do canço”? 

Numa tradição centenária em Sergipe, usa-se a corruptela do nome de algumas doenças como xingamentos. Vamos lá: bexiguento (varíola); cabrunco (carbúnculo); peste (peste), gota serena (gota), estopor balaio (estupor), cranco (sífilis primária), lazarento (hanseníase), febre do rato (leptospirose), e assim vai. Observe que são todas doenças infecciosas, que representavam o perfil epidemiológico do passado. Como hoje predominam as doenças crônicas surgiram novos xingamentos. O famoso canço Itabaianense é uma corruptela de câncer. Nada a ver com “canso” do verbo cansar. O fio da peste, fio do cabrunco, evoluiram para fio do canço, acompanhando a epidemiologia. 

Antônio Samarone.