quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O PARQUE DA SEMENTEIRA


O Parque da Sementeira

Apesar do abandono, o Parque da Sementeira é muito frequentado. O Parque aguarda um destino. O Prefeito anterior encomendou um projeto a Jaime Lerner, que em seu estilo, apresentou uma coisa mirabolante, cheia de lagos, luzes e passarelas. Claro, ficou no papel. Depois de ouvir alguns especialistas, tomei a ousadia de oferecer ao Prefeito Edvaldo Nogueira uma proposta:  - prefeito, transforme o Parque da Sementeira num Jardim Botânico.

Faça em parceria com as universidades, com a EMBRAPA, escolas, iniciativa privada, etc. Os custos serão reduzidos. Um Jardim Botânico não impediria a atual função recreativa, e ajudaria na preservação das matas da restinga, em extinção. Teria ainda funções educativas, de pesquisa, de espaço para a volta dos pássaros, entre outras. O Prefeito prestou a atenção, sorriu e até completou a ideia. Eu sair com a impressão que ele tinha concordado.

Só que hoje, durante a caminhada, observei que estão fazendo um puxadinho numa área da Sementeira (foto). Perguntei o que era, e fui informado tratar-se da ampliação do horto. Só tem um problema: a obra interpõe-se exatamente na cerca que divide o Parque da Sementeira do fundo da EMBRAPA. Aquele terreno da EMBRAPA, sem serventia, tinha sido doado a Prefeitura na gestão anterior. Fui informado que o atual Prefeito devolveu, por não ter interesse em sua utilização. Perguntei ao Prefeito e ele negou. Ocorre, que a proposta do Jardim Botânico precisa de espaço, e esse puxadinho segrega o terreno da EMBRAPA.

Não é justo que o Parque da Sementeira viva de improvisos, um puxadinho aqui, outro acolá. Claro, a administração pode ter uma ideia melhor que a de um jardim botânico. Pode inclusive retirar as repartições públicas que ali funcionam, com me disse o Prefeito, num vai e vem inadequado de veículos. O que me parece é que o Parque não pode ficar abandonado, nem ser feito a base de improvisos. O poder municipal, que administra a área, precisa planejar um destino para o Parque da Sementeira.

Antônio Samarone.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O NOVO ELEITOR


O novo eleitor.
A confissão de quebradeira do estado, feita por Jackson Barreto na TV, repercutiu na opinião pública. O governador falou como se não tivesse nada a ver com o fato, como estivesse diante de uma fatalidade. O jornalista Claudio Nunes cobrou explicações. A verdade é que o governo das mudanças (MDB/PT) assumiu com muito dinheiro em caixa e, após dez anos, encontra-se devendo, quebrado, e sem conseguir manter as obrigações do dia-a-dia. Os indicadores econômicos e sociais despencaram em Sergipe.
A sociedade aguarda um diagnóstico: como chegamos ao fundo poço e quais os caminhos para a superação? Ao governo não basta a constatação do desastre, é preciso identificar os erros e apontar os consertos. Para o governo das mudanças permanecer no comando do estado, como pretende, não basta a cooptação dos chefes políticos, o tradicional troca-troca; será preciso uma mea-culpa, um reconhecimento dos malfeitos, e de novas promessas.
As oposições também precisam de uma boa narrativa. As críticas genéricas e as promessas de solução, sem apontar os caminhos, não serão suficientes. Por enquanto, nada de consistente. Tudo ainda pode acontecer, até mesmo a composição de uma parte da oposição com o governo. Quem está no governo sair, largar o osso, já é mais difícil. Mas pode haver um realinhamento nacional que repercuta em Sergipe. Por exemplo: quem vai comandar o MDB em Sergipe nas eleições? Como se dizia no Império: “nada mais parecido com um conservador que um liberal no governo”. Existem variáveis em aberto, indefinidas, e Sergipe é pródigo nessas misturas de última a hora.
Esse tipo de raciocínio é supondo que a crise está mudando as consciências, e que teremos um novo eleitor em 2018. Se não, esqueçam tudo. No jogo tradicional vale as composições de bastidores, os compromissos espúrios, os acertos, o toma lá dá cá, o leilão dos espaços públicos, as sinecuras e os privilégios. Em resumo, o poder econômico continuará decidindo a política, e o eleitor um simples figurante.
Antônio Samarone.

A MINHA SINA É SER MINORIA


A minha sina é ser minoria!
O CINFORM divulgou que apenas 11% dos aracajuanos aprovam a administração de Edvaldo Nogueira. Sem questionar a pesquisa, eu sou dessa turma que aprova. João Alves deixou a casa desarrumada. No primeiro ano o atual o Alcaide regularizou o pagamento do funcionalismo, pôs a limpeza da cidade em dias, arrumou recursos federais, cuidou do Natal, viabilizou o réveillon, concluiu obras inacabadas e está recapeando as vias públicas. Claro, tem muita coisa a fazer e que não foi feita, mas a gestão é boa. Será se o pessoal está esperando a cidade ficar inteligente? Calma, isso foi apenas uma frase de efeito do marqueteiro.
Será se esse rigor na avaliação de Aracaju é por falta do tal “carisma” ao Prefeito? Qualquer avaliação deve ser comparativa, eu acho. A avaliação de Edvaldo é ruim comparada com a de quem em Sergipe, com a administração estadual? O governador é conhecido por ser bom de carisma e um mau gestor. O Estado está pedindo socorro há muito tempo. E os demais prefeitos de Sergipe? Fizeram até greve. Se fala bem de um ou outro. Os tempos no Brasil são difíceis. O que eu escuto nas avaliações de Edvaldo, além da falta de carisma, é que ele não é líder, não pertence a nenhuma corriola política, é pragmático, aceita ajuda de qualquer um e anda meio desarrumado. Mas o que está sendo avaliado é se ele administrou bem a cidade ou não, e nesse quesito eu acho que sim.
Antônio Samarone.

sábado, 23 de dezembro de 2017

A MISSA DO GALO


A Missa do Galo.

O Natal vem de longe. Muitos cristãos lamentam que perderam a data para Papai Noel, e alertam que o Natal deveria comemorar o nascimento de cristo, longe dessa orgia de consumismo. Contudo, o mercado monopolizou o Natal. Será se Cristo nasceu mesmo em 25 de dezembro?  O inverno é rigoroso para as bandas de Israel nesse período, e esse menino numa estrebaria. Sei não...

Dizem os antigos que o Natal era uma festa pagã, chamada de Natalis Solis Invicti ("nascimento do sol invencível"), em homenagem a Mitra, deus persa. Enfeitar árvores, iluminar ruas, trocar presentes, reunir-se em torno de uma mesa farta é festa pagã. Os romanos cristianizaram o Natal por volta do ano 354, e passaram a comemorar o nascimento de Cristo. De uns tempos para cá, o mercado tomou a data de volta e instalou o Papai Noel no Trono.

Em meu universo infantil não existia Papai Noel. Natal era o aniversário de Cristo, e a solenidade máxima era a missa do galo. Ninguém fazia nada antes da missa, geralmente cantada, cheia de pompas. Depois, só depois, íamos a feirinha de Natal, a parte pagã da festa. No meu caso, sem ceias e sem presentes. Do consumismo só uma roupa nova, não se ia ao Natal com roupa usada, mesmo os pobres. A feirinha de Natal era um modesto parque de diversões num terreno empoeirado e bancas de jogos de azar. Sorteava-se de tudo, em especial a goiabada peixe. Os mais abastados comiam arroz amigo com galinha de capoeira, na hora de ir embora.

Portanto, esse Natal de mercado não me atrai. Não gosto de Papai Noel, nunca achei graça, acho-o dissimulado. Nem a ceia me alegra, não gosto de peru e estou de dieta. Tenho saudades somente da missa do galo, que os católicos abandonaram. Acho que foi depois do Concílio Vaticano II. Li uma crônica nas redes sociais, feita por um padre amigo, que escreve bem, mas não falou na missa do galo. Até o padre esqueceu. Acho que o mercado impôs Papai Noel porque facilitamos. Quero a missa do galo de volta, e a meia-noite.

Antônio Samarone.  

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O MOVIMENTO ESTUDANTIL


O Movimento Estudantil é Internacional.

O movimento estudantil no Brasil passou por mudanças nas últimas décadas. A UNE, os DCEs e os Centros Acadêmicos perderam protagonismo nas lutas sociais, força junto aos estudantes e importância política. A afirmativa é quase consensual, com poucas discordâncias.

Mas a luta social continua e a história não chegou ao fim. Na quinta-feira (21/12) assisti a uma ação de estudantes de medicina em Aracaju, no Calçadão da Praia Formosa, em parceria com a equipe de saúde pública de Almir Santana. Até aí nenhuma novidade. Ocorre que os estudantes eram organizados pela “International Federation of Medical Students Associations” (IFMSA), uma organização internacional que congrega 1,3 milhões de estudantes, presente em 127 países.

Os estudantes de medicina de Sergipe, organizados pela IFMSA, distribuíram panfletos educativos, ajudaram no trabalho de Almir Santana e abraçaram o laço vermelho, símbolo do combate a AIDS, com velas acesas. Estavam presentes ao ato, alguns portadores do HIV. Os estudantes, pelo que entendi, faziam um ato de aproximação com a sociedade, um ato de compromisso com a saúde pública. De certa forma um protesto, contra os distanciamentos dos cursos de medicina do trabalho social. A IFMSA, pelo que li depois, quer reunir pessoas para trocar, discutir e iniciar projetos para criar um mundo mais saudável.  

Pelo sim, pelo não, os jovens estudantes estavam nas ruas num trabalho de promoção e prevenção a saúde. Ainda não sei como funciona o IFMSA, seria um “Rotary” de estudantes de medicina? Como velho sanitarista, que pensava já ter visto quase tudo no movimento sanitário, fui surpreendido positivamente. Uma parte dos estudantes de medicina em Sergipe está organizados pela “International Federation of Medical Students Associations” (IFMSA). Quem quiser saber mais, veja o link: https://ifmsa.org/

Antônio Samarone.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

MESTRES DA MEDICINA EM SERGIPE - Gilson Feitosa.


MESTES DA MEDICINA EM SERGIPE.

GILSON SOARES FEITOSA – Nascido em Aracaju, em 21 de janeiro de 1947, filho do contabilista Manoel Feitosa e da professora Gisela Soares Feitosa. A família é de Porto da Folha. Gilson tem um irmão, o engenheiro Gilvan Soares Feitosa. O curso primário foi realizado na Escola Menino Jesus, deixando excelentes recordações, sobretudo as aulas de “descrição”; o ginásio foi dividido, os dois primeiros anos no Jackson de Figueiredo, e os dois últimos no Salesiano. A mudança teve um bom motivo: Gilson Feitosa adorava futebol, e no Salesiano este esporte era estimulado. Ele foi meio-campista do Estrela, destacado time de pelada, quase imbatível em suas hostes. Gilson é torcedor do Sergipe. Até os 14 anos, viveu e brincou livremente nas ruas do Aracaju. Gilson não se destacava nos estudos, fazia as tarefas, mas sem a dedicação posterior, que só começaria no glorioso Atheneu Sergipense, onde fez o científico.

A partir do Atheneu Sergipense, Gilson Feitosa recebeu a influência de grandes professores: Marcos Pinheiro, na química; Fedro Portugal, na biologia e Leão Magno Brasil, na matemática. Tomou gosto pelos estudos, e passou a ler, ler muito, devorar os livros. Isso lhe abriu a mente. Logo cedo despertou para a beleza da biologia, e decidiu que seria médico. Durante o 2º ano científico, frequentou o pré-vestibular beta, dos professores Fedro Portugal, Eduardo Garcia e Caetano Quaranta. Mesmo na época já existindo Faculdade de Medicina em Sergipe, a fama da primeira faculdade de medicina do Brasil, lhe empurrou para a Bahia. No segundo semestre do 3º ano científico, transferiu-se para o famoso Ginásio Central da Bahia. Para sua surpresa, notou que a bagagem levada de Sergipe era suficiente. No vestibular da Federal da Bahia de 1965, três sergipanos saídos do Atheneu, passaram em primeiro lugar: Gilson Feitosa na medicina, Carlos Henrique na engenharia e George Felizzola em geologia. Na mesma turma de medicina estudaram os sergipanos Rinaldo Prado e Leila Andrade. Alguma dúvida sobre a qualidade o ensino público em Sergipe, na época?

Durante o curso de medicina Gilson Feitosa aproximou-se do destacado professor Heonir Rocha, piauiense, catedrático de terapêutica clínica, Reitor da Universidade Federal da Bahia. Essa amizade durou para sempre. Gilson Feitosa concluiu com brilhantismo o curso de medicina em 15 de dezembro de 1970. Após a formatura, dois fatos importantes: casou-se com a baiana Ana Lúcia Freitas Feitosa, amor de sua vida, e vai fazer residência médica nos Estados Unidos. Cursa a residência em medicina interna no Medical College da Pennsylvania de 1972 a 1973; e a residência em cardiologia no Medical College da Pennsylvania de 1973 a 1975, nos EUA. Nesse período, a cardiologia está passando por grandes transformações. Antes, só o estetoscópio a radiografia de tórax e o eletrocardiograma. Em 1970, O cirurgião argentino René Favaloro, criou a cirurgia de ponte de safena; e em 1977, Andreas Gruentzig realizou a primeira angioplastia com balão. A cardiologia dispara. Gilson Feitosa conclui os estudos nos EUA cheio de conhecimentos e novidades.

Depois de muitas dúvidas, Gilson Feitosa decidiu retornar ao Brasil, a sua esposa estava grávida e ele queria que o seu filho fosse brasileiro. Em 1975 ele voltou, e voltou para a Bahia. Começou a trabalhar na clínica privada, e já em setembro, Gilson foi aprovado em concurso público para professor de medicina na Federal da Bahia. Em 1978, quando terminou o estágio probatória, o seu contrato não foi renovado, mesmo ele concursado. Atribuiu-se as disputas internas na UFBA, e ao fato dele pertencer no grupo de Heonir Rocha. Esse fato levou a uma demorada greve estudantil.

Gilson Feitosa cansou-se com o aborrecimento e, em 1979, aceitou o convite para ser professor titular da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, onde permanece até hoje. Assumiu o cargo de coordenador da residência em cardiologia do Hospital Santa Izabel, da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, em 1982, permanecendo até o momento. Assumiu a direção de ensino e pesquisa do mesmo hospital, desde 2005, permanecendo até o momento. Foi presidente da comissão científica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) de 1989 a 1991 e de 1993 a 1995; presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) 1999-2001; e presidente da Sociedade Sul-Americana e Cardiologia (SSC) de 2004-2006. É membro da Academia de Medicina da Bahia, desde 2004.

Gilson Feitosa tem três filhos, Gilson Soares Feitosa Filho, Luciana Feitosa Seabra e Gustavo Freitas Soares, todos médicos cardiologista, e tem quatro netos. Como professor de medicina e conceituado mestre de várias gerações, Gilson Feitosa tem uma preocupação: os atuais médicos estão se formando com um elevado acervo de conhecimento e baixo discernimento. Perderam a reflexão e a capacidade de análise. A boa conduta, a atitude ética não se aprende pela internet, precisa-se do exemplo do professor. Exemplos cada vez mais raros. “Precisamos de uma reordenação do ensino médico no Brasil, a exemplo do realizado por Abraham Flexner no inicio do século XX, nos Estados Unidos”, disse o mestre.

Antônio Samarone.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

GENTE SERGIPANA


Padre Padilha.

José Padilha de Oliveira nasceu a 10 de outubro de 1939, em Tobias Barreto (SE), filho de Pedro Correia de Oliveira e Alzira Padilha de Oliveira. Fez as primeiras letras no grupo escolar de Tobias Barreto. Mudou-se para Aracaju aos 12 anos, estudando o ginásio e científico no Arquidiocesano.

Estudou filosofia e teologia Seminário Maior Imaculada Conceição, em Viamão (RS), ordenando-se sacerdote em 1965, pelo cardeal Dom Vicente Scherer, na igreja São Sebastião, em Porto Alegre.

Retornando a Aracaju foi designado por Dom Távora para assumir a direção do jornal "A Cruzada", e designado o primeiro pároco da igreja São Pedro e São Paulo, no bairro 13 de julho. Foi padre por nove anos. Deixando a batina ingressa no curso de direito da UFS, formando-se em 1973. Ingressou nos quadros da Defensoria Pública. Casou-se em 4 de outubro de 1980, com Edeilza Melo, e tiveram dois filhos, Fábio Melo Padilha de Oliveira e Liziane Padilha de Oliveira.

O padre Padilha é o orador oficial da irmandade “CORECON”, que se reúne há mais de trinta anos, todas as segundas-feiras, atualmente na sede da SOMESE. O padre Padilha mantém o estilo da oratória sacra.
Antonio Samarone.