terça-feira, 11 de agosto de 2026

ULISSES DE HOMERO.

A Odisseia de Homero.
(por Antonio Samarone)

O cinema internacional agita-se com Ulisses, o novo filme de Nolan. Volta-se a se falar na Odisseia. Eu entrei na onda e fui reler. O que diz a Odisseia? Porque continua sendo um dos maiores clássicos da humanidade.

Na verdade, o poema trata da jornada da alma humana. Com o fim da guerra de Troia, Ulisses enfrentou a viagem de volta ao pequeno Reino de Ítaca. A guerra durou 10 anos.

Ele precisou enfrentar 10 obstáculos, no mar bravio, cheio de tempestades e monstros. O mar representa a vida, e as dificuldades são os arquétipos da natureza humana.

A ele é oferecido a imortalidade e a eterna juventude, com um preço: deixar de ser quem ele era. Ele opta pelo envelhecimento, a dor e o sofrimento, para não abrir mão da identidade.

Quem está envelhecendo, enfrenta os mesmos arquétipos (padrões estabelecidos atavicamente), que definem o nosso destino Não é fácil, esperar a morte com sobriedade. Geralmente, a escolha é não prestar a atenção. Procura-se uma zona de conforto.

Cada capítulo da Odisseia é uma reflexão sobre a alma humana.
Esse meu escrito, efêmero, destinado a leitores apressados das redes sociais, não permite aprofundar sobre as reflexões de Ulisses. Nem mesmos, as mais conhecidos, como o canto das sereias.

O risco é a zona de conforto ofuscar a realidade: a jornada da vida ainda não terminou. Tirésias, o sábio cego da odisseia, orienta que a principal providencia na velhice é abandonar a tirania dos desejos, cuidar do corpo e manter a vida ativa.

O segredo é continuar plantando árvores, memo sabendo que não aproveitará nem da sombra, nem dos frutos.

O medo da morte não pode impedir que se viva o tempo que ainda resta. A velhice não é uma espera. Se alma continua depois da morte, há esperanças; se não continua, não haverá sofrimento. Não vagaremos sem rumo, no Cosmo frio e escuro. As trevas (buraco negro), deixam de ser uma ameaça.

Vou chegar a Ítaca, anônimo, como mendigo, espero que pelo menos “Argos” me reconheça. A ansiedade, é que não sabemos o tempo que resta até a chegada.

Esse texto me ajudou a enfrentar uma madrugada insone.

Antonio Samarone (Academia Itabaianense de Letras)
 

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